28 de dez de 2014

Rockstar - Capítulo Final



- Bom dia, querida... - Mick aproximou-se dela, assim que percebeu que tinha terminado sua meditação, no quarto que mantinha como academia. - Teve uma boa noite?

- Bom dia, Mick... - ela levantou-se  da esteira, tirou os fones de ouvido e beijou-o no rosto. - Foi muito boa, querido... e a sua?

- Só não foi perfeita porque você não estava comigo... mas sonhei a noite toda conosco... sei que você não está mais na mesma página que eu, mas...

- Ah, Mick... me desculpa... talvez seja melhor eu ir embora... voltar para o Brasil...

- Não, meu amor... você não pode ir... prometi ao seu marido que não permitiria isso...

- Como? Você prometeu?

- Sim... quando ele veio me dizer que se afastaria para nos dar a chance de vivermos o que precisávamos viver, eu prometi a ele que não te deixaria partir daqui... nós dois tínhamos muito medo de que você fugisse de nós e voltasse para o Brasil...

- E o que mais você prometeu em meu nome? Tem algum prazo para me devolver para ele ao final do contrato? - ela secava as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

- Clara... por favor... me perdoa... nós dois apenas queremos vê-la bem...

- Eu sei... me desculpa... mas você sabe o quanto eu o amo...

- Ele também sabe, meu amor... - Mick abraçou-a. - Vamos passear um pouco? Fazer umas compras para o natal? Acho que você precisa relaxar...


- Não posso... tenho medo que algum paparazzo nos fotografe juntos...

- Não se preocupe com isso, minha vida... você sabe que não costumo deixar espaço para o acaso...

- Está bem, querido... vou me arrumar... mas antes vou dar uma olhada na internet... sonhei com  o Jack e no meu sonho, ele chorava muito, na frente do computador...

- Ah, querida... faça isso na volta... quero te fazer relaxar um pouco agora... - Mick disse, tirando o notebook das mãos dela e beijando-a.

- Está bem...

Clara teve alguma dificuldade para encontrar as roupas certas para sair, mas decidiu-se por uma calça jeans agarrada ao corpo, um suéter de lã, um par de botas e seu casaco longo de couro.

- Você está linda, querida... - Mick, que também estava usando roupas quentes e casuais, disse ao encontrá-la na sala de estar. - Espera... acho que você deve proteger mais a garganta... vou pegar um cachecol para você...

- Está bem, querido... - Clara sorriu, deixando que ele trouxesse para ela uma paximina cinza, que ele ajeitou ao redor de seu pescoço.

- Pronto... embrulhadinha para sair no frio... - Mick sorriu.

Os dois desceram pelo elevador e sentaram-se no banco detrás de um mercedes preto. E quando Mick disse que nunca deixava espaço para o acaso, ele falava sério. Um carro com 4 seguranças acompanhava de perto o carro de vidros  escuros em que estavam.

Apesar do sol e do céu azul naquela manhã sem nuvens, fazia muito frio. E as pessoas que caminhavam pelas ruas, andavam rapidamente, bem agasalhadas com seus casacos, luvas e gorros.

Logo os dois desciam do carro nas melhores lojas da cidade e faziam suas compras; basicamente presentes de natal para toda a família de Clara e para seus amigos, bem como os presentes que Mick distribuiria para sua família e amigos.

- Querida, estava aqui pensando... podemos chamar seus parentes e amigos para passarem as festas conosco...

- Não posso, Mick... tinha combinado outra coisa com eles, faria as festas na minha casa em Londres... eles nem sabem que estou separada do Jack...

- Mas você não está... podemos mudar as festas para meu apartamento e recebemos todo mundo, inclusive o Jack...

- Você faria isso por mim?

- Não há nada que eu não faça por você, meu amor...

- Ah, Mick... você é mesmo muito gentil comigo... mas ainda estou muito confusa...

- Fica tranquila, meu amor... não precisa decidir nada agora... quer saber o que faremos? Vamos almoçar? Estou com uma vontade enorme daquela torta de trufas negras do Cinq...

- Não podemos... lá tem sempre muita gente... vão nos reconhecer...

- Está bem... vamos para casa, então... vou ligar para o meu mordomo e mandar que ele encomende com o restaurante o que queremos comer... está melhor assim?

- Perfeito, querido... o Dr Lanee pediu que eu coma carne em todas as refeições...

- Eu sei... eles têm aquele cordeiro maravilhoso lá...

- Pode pedir, querido... me perdoa... sei que estou atrapalhando a sua vida...

- Atrapalhando? De jeito nenhum, meu amor... você me faz tão feliz...

- Não faço e você sabe disso...

- Eu te amo... só isso me importa...

- Também te amo, mas...

- Isso basta, meu amor... sabe... estes sonhos que tenho tido conosco, no castelo...

- Sim...

- Sabe o que mais nos vejo fazendo?

- O que?

- Conversando, querida... você era a minha melhor amiga e ficávamos falando sobre nossos sonhos e nossas aspirações como falamos hoje em dia e éramos muito felizes...

- Eu te adoro, Mick... - Clara beijou-o e os dois percorreram o restante do caminho de volta ao apartamento abraçados, no banco detrás da Mercedes.

Chegaram ao apartamento, distribuíram o conteúdo das muitas sacolas de compras sob a árvore de natal, almoçaram os pratos sofisticados que já esperavam por eles,  e ainda em clima de paz, foram descansar no quarto de Mick, assistindo a um filme na TV, deitados em sua cama, Clara lembrou-se de olhar seus e-mails, pegou o notebook e logo começou a chorar.

- O que foi, querida? - Mick aproximou-se dela, assustado com suas lágrimas.

- Olha isso, Mick... - ela disse, colocando o computador no colo dele.

Enquanto Mick lia, seu celular começou a tocar. - É o Jack, querida... - ele disse ao ver o nome do amigo piscando na tela.

- Jack? Preciso falar com ele...

- Acho melhor eu falar com ele antes...

- Está bem...

-  Olá Jack, tudo bem com você?

- Tudo, amigo... e com você?

- Está tudo bem... estou em Paris... na casa do Mike... vocês ainda estão na cidade?

- Que bom... nós estamos sim... vem aqui, no meu apartamento... a Clara está muito ansiosa para te ver...

- E eu preciso vê-la... sei que estou interrompendo algo importante para vocês...

- Não, Jack... você não está interrompendo nada... somos amigos... estou aqui apenas apoiando minha melhor amiga, neste momento em que ela espera que o grande amor de sua vida volte para ela...

Clara ouvia o que Mick dizia para Jack e chorava, com a cabeça pousada no ombro do amigo.

- Diga a ela que preciso dela...

- Você quer falar com ela? - Mick perguntou, ao sentir a voz do amigo embargada de emoção do outro lado da linha.

- Está bem...

Mick entregou o celular nas mãos de Clara, o que a fez chorar ainda mais. - Jack, meu amor...

- Menininha...  - ele também chorava do outro lado da linha. - Que bom ouvir sua voz... me perdoa por atrapalhar... mas estou com muitas saudades...

- Você não está atrapalhando nada, meu amor... onde você está?

- No apartamento do Mike...

- Fica aí... eu vou até você...

- Está bem, meu amor... estou te esperando...

- Mick querido...

- Eu sei... não precisa dizer nada... vai lá vê-lo... vocês dois merecem essa felicidade... sofreram tanto...

- Eu vou... sim... olha, Mick... eu não estou deixando de te amar... o Jack me ensinou isso... amar é para sempre...

- Eu sei... não se preocupe, querida... estaremos bem... eu sei disso... mas você precisa estar com ele de novo... vai tranquila, meu amor...

Clara beijou Mick no rosto, levantou-se da cama, vestiu as mesmas roupas que estava usando antes, desceu de elevador, deixou o prédio e caminhou, em prantos, até o próximo quarteirão.

Não sabia o que diria, quando chegasse lá. Apenas se concentrava em continuar caminhando, enquanto o vento frio fazia seu rosto doer.

- Boa tarde, Madame Noble... está muito frio hoje, não? - o porteiro do prédio de Michael Silver conversava em um inglês cheio de sotaque com Clara, visivelmente embaraçado por vê-la chorando. - A senhora precisa de alguma coisa?

- Não Louis... obrigada... o senhor Noble me espera...

- Sim... suba por favor...

- Obrigada...

No elevador, Clara sentia as mãos tremendo ainda mais. Sua ansiedade provocando uma crise de asma pesada, estava quase sufocando quando conseguiu alcançar o remédio no bolso de sua calça jeans e usá-lo, antes que o elevador chegasse ao andar do apartamento de Michael Silver.

Jack a esperava do outro lado da porta do elevador, pegou-a em seus braços e a beijou. Um beijo apaixonado, doce, carregado de um amor que existia desde sempre.

Estavam juntos de novo, sempre tinha sido assim e para sempre seria.

FIM

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